Retina

Principais doenças de retina.

Por Andrea Leander  ·  7 min de leitura

A retina é uma película fina de tecido nervoso que reveste o fundo do olho. É ela que capta a luz e transforma as imagens em sinais elétricos enviados ao cérebro — por isso, qualquer doença que a afete pode comprometer diretamente a visão. A boa notícia: a maioria das doenças de retina tem tratamento, e quanto mais cedo o diagnóstico, melhores os resultados.

Neste artigo, você vai entender como a retina funciona, quais são as doenças mais comuns, os sinais de alerta que nunca devem ser ignorados e como são feitos o diagnóstico e o tratamento.

O que é a retina e por que ela é tão importante?

Pense na retina como o “filme fotográfico” do olho. Enquanto a córnea e o cristalino focam a luz, é a retina que registra a imagem. Na sua região central fica a mácula, responsável pela visão de detalhes — ler, reconhecer rostos, dirigir. Ao redor, a retina periférica cuida do campo de visão e da visão noturna.

Diferentemente de outras estruturas do olho, o tecido da retina não se regenera. Lesões não tratadas podem causar perda de visão permanente — e é por isso que os sinais de alerta merecem atenção imediata.

As doenças de retina mais comuns

1. Retinopatia diabética

É uma das principais causas de cegueira evitável em adultos. O excesso de açúcar no sangue danifica os pequenos vasos que nutrem a retina, que podem vazar líquido, sangrar ou estimular o crescimento de vasos anormais e frágeis.

O ponto mais importante: nas fases iniciais, a retinopatia diabética não causa sintomas. Quando a visão embaça, a doença geralmente já está avançada. Por isso, toda pessoa com diabetes deve fazer exame de fundo de olho pelo menos uma vez ao ano, mesmo enxergando bem.

2. Degeneração macular relacionada à idade (DMRI)

Afeta a mácula e é mais comum a partir dos 60 anos. Existem duas formas:

  • DMRI seca: a mais frequente, de progressão lenta, causada pelo acúmulo de depósitos (drusas) sob a retina;
  • DMRI úmida (exsudativa): menos comum, porém mais agressiva — vasos anormais crescem sob a mácula e podem vazar líquido ou sangue, distorcendo a visão central rapidamente.

Um sinal característico é a metamorfopsia: linhas retas que parecem tortas ou onduladas, como o batente de uma porta ou os azulejos do banheiro.

3. Descolamento de retina

É uma urgência oftalmológica. Acontece quando a retina se separa da parede do olho, perdendo sua nutrição. Sem tratamento rápido, a perda de visão pode ser definitiva. Os sinais clássicos são:

  • Flashes de luz repetidos (fotopsias), mesmo em ambiente escuro;
  • Aparecimento súbito de muitas “moscas volantes” — pontos ou teias escuras que flutuam na visão;
  • Uma sombra ou “cortina” escura avançando pelo campo de visão.

Se você notar uma cortina escura na visão ou um surto repentino de flashes e moscas volantes, procure atendimento oftalmológico no mesmo dia. Nas primeiras horas, as chances de preservar a visão são muito maiores.

4. Oclusões vasculares da retina

São como “tromboses” ou “derrames” do olho: uma veia ou artéria da retina é obstruída, causando perda visual súbita e indolor, geralmente em um olho só. Estão associadas a hipertensão, diabetes, colesterol alto e problemas cardiovasculares — muitas vezes, o olho é o primeiro lugar onde essas doenças dão sinal.

5. Membrana epirretiniana e buraco macular

Alterações na interface entre o gel vítreo e a mácula podem formar uma fina película que enruga a retina (membrana epirretiniana) ou até abrir um pequeno orifício no centro da mácula (buraco macular). Ambas distorcem a visão central e, em muitos casos, têm indicação cirúrgica com excelente taxa de recuperação.

Sinais de alerta: quando procurar um oftalmologista imediatamente

  • Perda súbita de visão, parcial ou total, ainda que sem dor;
  • Sombra fixa ou “cortina” em qualquer parte do campo visual;
  • Flashes de luz persistentes;
  • Aumento repentino de moscas volantes;
  • Linhas retas que parecem tortas ou onduladas;
  • Mancha escura ou “borrão” fixo no centro da visão.

Como é feito o diagnóstico

A avaliação da retina é indolor e feita no próprio consultório. Os principais exames são:

  1. Mapeamento de retina: exame com a pupila dilatada que permite examinar toda a extensão da retina, do centro à periferia;
  2. Tomografia de coerência óptica (OCT): uma espécie de “ultrassom de luz” que mostra as camadas da retina em altíssima resolução — fundamental para diagnosticar e acompanhar DMRI, edema macular e buraco macular;
  3. Angiografia fluoresceínica: fotografa a circulação da retina com contraste, revelando vazamentos e áreas sem irrigação;
  4. Retinografia: registro fotográfico do fundo de olho para documentar e comparar a evolução ao longo do tempo.

Tratamentos disponíveis

O tratamento depende da doença e do estágio, e hoje contamos com recursos muito eficazes:

  • Injeções intravítreas (anti-VEGF): medicamentos aplicados dentro do olho que bloqueiam o crescimento de vasos anormais e reduzem o inchaço da retina. São o tratamento de primeira linha para DMRI úmida, edema macular diabético e oclusões venosas. O procedimento é rápido, feito com anestesia em colírio;
  • Fotocoagulação a laser: sela vazamentos, trata áreas isquêmicas da retina e reforça regiões frágeis, prevenindo complicações como o descolamento;
  • Vitrectomia: microcirurgia que remove o gel vítreo para tratar descolamento de retina, hemorragias, membranas epirretinianas e buracos maculares;
  • Controle clínico: nas doenças vasculares, o tratamento do diabetes, da pressão e do colesterol é parte inseparável do cuidado com a retina.

Prevenção: o que está ao seu alcance

  • Faça exame oftalmológico completo anualmente — especialmente se tiver diabetes, hipertensão ou histórico familiar de doenças de retina;
  • Mantenha glicemia, pressão arterial e colesterol sob controle;
  • Não fume: o tabagismo é um dos principais fatores de risco para DMRI;
  • Use óculos escuros com proteção UV;
  • Pessoas com alta miopia merecem acompanhamento mais frequente, pois têm maior risco de alterações periféricas da retina;
  • Conheça a sua visão: cubra um olho de cada vez, de tempos em tempos, e observe se há distorções ou manchas. Muitas doenças começam em um olho só e passam despercebidas.

Perguntas frequentes

Moscas volantes são sempre sinal de doença?

Não. Pequenos pontos ou filamentos que flutuam há anos, estáveis, geralmente são alterações benignas do vítreo. O sinal de alerta é a mudança súbita: muitas moscas novas de uma vez, principalmente acompanhadas de flashes de luz.

A injeção no olho dói?

É a dúvida mais comum — e a resposta costuma surpreender. Com a anestesia em colírio, a maioria dos pacientes relata apenas uma leve sensação de pressão. O procedimento dura poucos segundos.

Descolamento de retina tem cura?

Na grande maioria dos casos, a cirurgia consegue reposicionar a retina. O resultado visual, porém, depende muito do tempo entre o início dos sintomas e o tratamento — por isso a urgência em procurar atendimento.

Quem tem diabetes vai necessariamente ter retinopatia?

Não necessariamente. O bom controle da glicemia reduz muito o risco e retarda a progressão. Mas como a doença é silenciosa no início, o exame anual de fundo de olho é indispensável para todo paciente diabético, mesmo sem queixas.

Cuide da sua retina com quem é especialista

As doenças de retina exigem diagnóstico preciso e acompanhamento especializado. A Clínica Andrea Leander é especializada em oftalmologista com atuação dedicada em retina e catarata, atendendo em Belo Horizonte com equipamentos de última geração para exame e tratamento.

Se você notou qualquer um dos sinais descritos neste artigo, ou se está há mais de um ano sem examinar o fundo de olho, agende sua avaliação.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Para avaliação e orientação individualizada, agende uma consulta.

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